Procurar Um Cão Perdido
Normalmente, os animais fogem ao tédio ou à solidão; para responder
aos seus instintos sexuais caso não estejam esterilizados; em resposta a
eventos repentinos e inesperados que os assustam; por curiosidade pelo
mundo exterior; por janelas ou portões terem sido deixados abertos; ou,
se estiverem numa nova casa, à procura do ambiente circundante anterior.
A distância que os cães percorrem dependerá em grande medida da
distância que as suas patas lhes permitem andar. Por exemplo, cães
fortes, especialmente se forem novos, podem percorrer oito quilómetros
ou mais num único dia. Cães pequenos poderão conseguir percorrer cerca
de um quilómetro. A maioria dos cães é bem recuperada num raio de três
quilómetros de casa, especialmente porque não costumam percorrer largas
distâncias em linha recta, independentemente da sua força ou rapidez.
Por exemplo, se se tratar de um cão confiante, ele irá procurar outros
cães e outros humanos que sejam amigáveis e que provavelmente o
confortem, alimentem e abriguem. Jardins e parques públicos são locais
que ele procurará. Pelo contrário, se se tratar de um cão tímido e mais
idoso que não confie em estranhos, ele irá esconder-se. Bons locais para
isso podem ser os arbustos, um local ermo ou até mesmo debaixo dos
carros.
Desenhe mentalmente um círculo em volta do local onde perdeu o seu
cão. Pense nos locais dentro desse círculo para onde ele provavelmente
se deslocaria em procura de companhia, conforto ou comida. Um jardim ou
um parque onde vá regularmente? Uma escola? Uma casa onde o seu cão
costume receber guloseimas ou tenha um amigo? A porta de um carro
aberta? Pense em todas as pessoas que vivem dentro desse círculo,
pessoas que passem muito tempo fora de casa e que seja provável verem um
animal perdido. Pense nas pessoas que percorrem a sua zona como parte do
seu trabalho, pessoas que você não conhece e que não o conhecem a si.
Peça a todas elas que o ajudem a encontrar o seu cão. Quanto mais
pessoas estiverem envolvidas na busca, maiores serão as probabilidades
de o encontrar.
Com as sugestões abaixo, pretendemos oferecer-lhe algumas linhas de
orientação na busca do seu cão. As primeiras 12 horas após um
desaparecimento são vitais, pelo que é essencial rapidez de acção.
Esperamos que estas indicações o ajudem.
- Percorra as proximidades do local de desaparecimento!
Percorra a pé ou de carro as proximidades do local de desaparecimento.
Pergunte aos moradores locais e a outras pessoas que frequentem
habitualmente a zona (carteiros, funcionários de recolha de lixo) se
viram o seu cão. De preferência, leve consigo um familiar ou amigo. Se
tiver outro cão e ambos os animais se derem bem, se tal for viável,
leve-o consigo nas suas caminhadas. Fale com todas as pessoas que
encontrar e tente envolver as crianças da vizinhança na procura (as
crianças podem ser óptimas a encontrar animais).
- Faça barulho! Os animais podem ouvi-lo a grandes
distâncias. Chame continuamente o nome do seu cão. Se ele tiver um
brinquedo com gizo/apito, leve-o consigo e utilize-o para fazer ruídos
familiares. Leve também consigo uma caixa dos biscoitos favoritos do
seu cão e abane-a alto e bom som enquanto chama o nome do seu cão. Faça
outros barulhos que lhe sejam familiares. No entanto, é importante
parar regularmente, manter silêncio e ouvir se o seu cão faz algum
barulho em resposta. Os vizinhos/transeuntes irão pensar que é maluco,
mas estamos a falar da vida do seu cão!
- Leve uma lanterna com luz forte, bem como coleira e trela!
Além de coleira e trela, mesmo durante o dia, leve consigo uma lanterna
para procurar em locais escuros. Um cão assustado ou magoado poderá
esconder-se em locais escuros e não irá ter consigo. Além de procurar
em locais escuros, procure também em valetas, barracões, aterros,
contentores, garagens, casas devolutas ou em construção, debaixo de
carros, etc.
- Elabore folhetos com fotografia! No folheto, além
de uma fotografia (de preferência de corpo inteiro), inclua o sexo do
seu cão, a idade, o porte, a raça, a cor, outras marcas características
e, claro, o seu contacto. Tenha o cuidado de inserir informações que
possam ajudar terceiros na eventualidade de avistarem o seu cão. Por
exemplo, indique se o seu cão é sociável ou se, pelo contrário,
dificilmente se deixará apanhar (sendo por isso aconselhável evitar
qualquer tentativa para o agarrar). No entanto, ao descrever o seu cão,
oculte uma ou duas características identificadoras. No caso de alguém o
informar de que encontrou o seu cão, peça a essa pessoa que o descreva
com exactidão (esta medida é essencial para evitar fraudes). O
recurso Encontra-me.org disponibiliza folhetos aperfeiçoados a partir
da página de cada anúncio, os quais permitem que qualquer
pessoa interessada em ajudar possa retirar uma tira com o n.º de
telefone, aumentando-se assim as pessoas "envolvidas" na procura. É
conveniente que os autores dos folhetos facilitem esta tarefa dando
pequenos cortes com a tesoura ao longo do tracejado.
- Afixe e distribua os folhetos! À medida que for
procurando o seu cão, vá afixando e distribuindo folhetos. É
extremamente importante afixar muitos folhetos no raio de,
pelo menos, um quilómetro e meio do local de desaparecimento. À medida
que os dias forem passando, esse raio deverá ser aumentado. Peça para
colocar um folheto em padarias, mercearias, cafés, clínicas
veterinárias, supermercados, bombas de gasolina, farmácias, ruas
movimentadas e noutros locais estratégicos. Examine os folhetos
frequentemente e substitua os que tiverem sido retirados ou danificados
(infelizmente, muitos folhetos desaparecem em menos de 24 horas). É
também aconselhável distribuir um folheto a carteiros, taxistas e
motoristas de autocarro, pois estes percorrem as cidades diariamente.
- Prepare um "tapete de boas-vindas"! Se tal for
viável, coloque artigos com odor forte à porta/janela de casa para
atrair o seu cão, tais como peças de roupa suja. Peúgas suadas e fatos
de treino são atractivos excelentes. Se possível, coloque também no
exterior o "ninho" e os brinquedos preferidos do seu cão. Deixe o
portão aberto, se daí não advier perigo.
- Regresse ao local de desaparecimento! Se o seu cão
tiver desaparecido longe de casa, volte com frequência ao local em que
desapareceu. Após algum tempo, há cães que regressam ao local onde se
perderam, pois esse local é a sua última referência.
- Notifique as clínicas veterinárias! Telefone para
as clínicas veterinárias da sua zona para saber se o seu cão terá sido
recebido para tratamento ou verificação de existência de microchip.
Deixe um folheto com fotografia nas clínicas veterinárias de todo o
concelho e, com o passar do tempo, dos concelhos adjacentes (pesquise
os contactos no site das Páginas Amarelas).
Se o seu cão tiver microchip, notifique a entidade da base de dados
pertinente: SIRA (213 430 661) ou SICAFE (213 239 763). Certifique-se
de que as informações de contacto estão actualizadas.
- Desloque-se aos canis municipais! Visite
regularmente os canis municipais mais próximos. Não basta
telefonar, tem de ir ver por si próprio. Lembre-se de que a
sua descrição do seu cão e a descrição de outras pessoas nem sempre
coincide. Por outro lado, infelizmente, há funcionários pouco sensíveis
e pouco cooperantes que se apressam a informar (incorrectamente) que
não existe no canil nenhum animal com as características indicadas. Ligando
para os contactos gerais das câmaras municipais, poderá obter a
localização dos respectivos canis. Se o seu cão não estiver no
canil municipal, informe-se sobre quanto tempo cada canil mantém os
animais antes de os colocar para adopção ou de os abater. Por lei, os
canis municipais devem aguardar 8 dias antes de abater um animal, mas
este prazo mínimo nem sempre é respeitado. Peça a ajuda de amigos ou
familiares para visitarem os canis à vez.
- Contacte as associações de protecção mais próximas!
Informe-se sobre quais as associações de protecção aos animais da sua
zona e notifique-as. Se tiver adoptado o seu cão numa associação,
informe-a o quanto antes acerca do desaparecimento, para que os
voluntários da associação também possam ajudar na procura.
- Notifique a polícia se achar que o seu animal foi raptado!
Apresente uma "queixa-crime por furto" na esquadra mais próxima, para
que o caso siga para o Ministério Público. Terá de assinar a queixa e
receber uma cópia da mesma. Se a polícia se recusar a aceitar a queixa,
exija o livro de reclamações.
- Contacte equipas de estrada! Descubra se o seu cão
foi morto na estrada. Trata-se de uma tarefa triste, mas necessária.
Caso contrário, poderá nunca saber o que aconteceu ao seu cão. Entre
diariamente em contacto com as equipas que recolhem animais das ruas e
estradas. Poderá utilizar o número azul 808 21 00 00 (Linha Azul -
Estradas) para que lhe indiquem como poderá obter informações. No
endereço que se segue, poderá encontrar os contactos das Direcções de
Estradas de todos os distritos: www.estradasdeportugal.pt/informacoes/contactos.asp
(sugerimos que tente entrar em contacto com a Direcção de Estradas do
seu distrito e dos distritos adjacentes).
- Publicite o desaparecimento! Se possível, anuncie
também o desaparecimento do seu cão em jornais e estações de rádio
locais. Coloque um anúncio na edição de domingo, bem como durante a
semana.
- Tenha cuidado com pessoas mal-intencionadas e fraudes!
Infelizmente, existem pessoas que se tentam aproveitar de situações de
animais perdidos. Evite encontrar-se sozinho com alguém que afirme ter
encontrado o seu animal. Leve um ou dois amigos consigo e marque um
encontro num local público. Da mesma forma, evite andar sozinho à procura
do seu animal, particularmente em locais que não lhe sejam familiares. Não convide
ninguém para entrar em sua casa, a menos que conheça bem essa pessoa.
Quando falar com um desconhecido que afirme ter encontrado o seu
animal, peça-lhe que descreva o animal com exactidão antes de lhe
fornecer qualquer outra informação. Se o desconhecido não incluir a
característica identificadora que ocultou nos anúncios, é provável que
afinal não tenha o seu animal. Tenha cuidado redobrado com pessoas que
insistam em receber antecipadamente dinheiro pela devolução do seu
animal ou por eventuais despesas veterinárias. A tentativa de fraude à
custa de animais perdidos é um perigo real.
- Não desista! Há casos de cães que andaram
desaparecidos durante meses e que acabaram por ser encontrados. Proceda a uma afixação regular de folhetos e contacte
regularmente as clínicas veterinárias do distrito do local de
desaparecimento (e, eventualmente, distritos adjacentes). Na
eventualidade de o seu cão ter sido recolhido por alguém, as
probabilidades de ir a uma clínica veterinária são altas. Por outro
lado, quem sabe se a divulgação não chega a alguém que possa ajudar e
que não tivesse tido conhecimento do sucedido aquando de divulgações
anteriores?
Depois de encontrar o seu cão, deverá recolher os folhetos que afixou
e informar as pessoas que o auxiliaram, inclusive clínicas veterinárias
e canis municipais. Para evitar que esta situação traumática para o seu
cão e para si volte a ocorrer, siga as Medidas
Essenciais Para Evitar Que Um Animal Se Perca.
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